O menino de São Gonçalo : Da mocidade para o mundo!
A Mocidade Independente dos anos 90 é eterna. Quem não se lembra do “Vira-Virou”, do “Chue-Chue, Chue-Chuá”? É possível esquecer “Sonhar não custa nada”? Essa mesma Mocidade, bancada por Castor de Andrade e lapidada por Renato Lage encantou uma geração. Aquela alvi-verde, na voz de Paulinho Mocidade e depois na de Wander Pires, era ansiosamente aguardada por todas as torcidas. Um imenso mar verde de luxo e novidades, embalado com uma bateria que mais parecia uma orquestra, ocupava a sapucaí levando a platéia ao delírio. E em tantas televisões mundo afora que acompanhavam tais gloriosas apresentações da Mocidade, de frente a uma, estava o pequeno Diego Nicolau. Encantou-se profundamente com que assistia e acabou escolhendo uma alvi-verde diferente da do pai para torcer.
São raras as histórias onde sonhos infantis realizam-se. Na vida real sim, são raríssimas. Muitas vezes nos esquecemos deles, os sonhos, ou tornam-se quase impossível de serem realizados. O menino de São Gonçalo tornou-se no dia 17 de outubro uma dessas exceções. Há anos sendo reconhecido como um dos compositores mais talentosos da atualidade, Diego Nicolau transformou-se numa grande pessoa e artista. A voz indescritívelmente marcante e bela, um tom doce e etéreo quando canta. E,claro, sua sensibilidade e inteligência para compor, o puseram em tal patamar.
Na alvi-verde do pai fez história. É conhecido e querido por lá. Afinal, poderia ser diferente ? Diego tem como aliado, além do talento e da voz, seu carisma. A aparência robusta e mal encarada transforma-se quando o menino sorri e quando chora também. Além disso, é necessário frisar que para se dedicar hoje em dia ao mundo das escolas de samba, deve-se sobretudo amar o que faz. E só por conta disso, Diego já mereceria nossa admiração.
Porém, ele o menino conseguiu mais, bem mais do que isso. Venceu sambas, desafios pessoais, inveja e desconfianças. Se consolidou como intérprete finalmente na União de Jacarépaguá, tendo sido logo em seguida convidado pela Viradouro, uma grande escola de Niterói. Nesse ponto, o menino já não era só de São Gonçalo. Escrevia para fora, marcava presença em carnavais de outros estados, ansiosos para ouvir sua voz. Para presenciar o resultado da renovação do tão famoso carnaval carioca tem de melhor.
Diego nunca escondeu que é Mocidade Independente. E por lá fez grandes amigos e sambas. Todavia conheceu derrotas também. Houve tempo que decidiu desistir. Mas, com o destino não tem dessas. Diego foi empurrado para nova disputa para o carnaval 2012, onde entrou sem grandes pretensões. Seu Samba foi ganhando respeito, aparecendo na boca de gente de Padre Miguel, de torcedores da escola. E foi no dia 17 de outubro de 2011 que ele explodiu na quadra na voz do intérprete oficial da Mocidade, Luizinho Andanças. Aquele Diego, criança nos anos 90, boquiaberto com os desfiles da Mocidade Independente de Padre Miguel, é autor do mais novo hino da Mocidade.
O grande amigo, qual considero irmão, está agora eternizado na Mocidade!
Parabéns Diego Nicolau.
